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No Mar, na Terra, em Todo Lugar

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  Na época em que éramos crianças, sempre havia alguém que nos perguntava: "O que tu quer ser, quando crescer?". Quando era minha vez de responder, eu dizia: "Ninja". Isso fazia com que minha mãe ficasse aos gritos, pedindo que eu descesse das árvores e parasse de girar a tarde toda, nos troncos de madeira que tinham no campo de futebol, que morávamos em frente.   Esse hábito, que começou aos 7/8 anos de idade, de ficar pendurada de cabeça para baixo nas árvores, aperfeiçoando o modo como eu descia e me movimentava, brincando com o Nunchaku (que meu irmão confeccionou para mim) e com bastões de madeira, me ajudaram quando de fato, comecei a praticar Kung Fu, anos mais tarde.  Minha mãe, morria de tanto gritar, mas nunca adiantou nada. Estava no "sangue" (kkkk). Eu sempre dizia à ela: "Mãe, Ninjas são silenciosos". Depois de dito isso, um chinelo sempre voava na minha direção. Ela era a Ninja ali. Quando cresci, entendi o que era realmente ser uma...

A Dança das Corvinas

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  "As docas estão cheias. Estou com esse esporão na mão, faz dias, não dá tempo de curar, de tanto descarregar as caixas". E a conversa com o Anthony foi seguindo, com rumo certo. "Então o vídeo que anda rolando nas mídias, da pesca, e a festa dos pescadores pelas redes cheias é aqui em Rio Grande e é verdadeiro mesmo?" "Sim, é mesmo!". "Vi que eles estavam retirando os peixes das redes e as Corvinas pulavam enlouquecidamente". Nessa conversa, pensei em mim e de um texto que li, do Fernando Pessoa, muitos, muitos anos atrás, onde ele se depara com um Curriculum Vitae, que pede a descrição das experiências dele. Nesse texto, Fernando relembra várias coisas que passou na vida, desde "raspar o fundo da panela de arroz carreteiro", até "fazer coceguinhas na barriga da irmã, só para ela parar de chorar". Ele se depara com as linhas do currículo e se pergunta se "ser plantador de sorrisos" serve como experiência. Bem, no m...

Luz, Câmera, Ação: Cinema

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Rio Grande tem suas histórias.  E seus moradores, seus arquivos e memórias.  Eu já estava fora da cidade, quando comecei a conversar com o Sr. Antônio e ele pôde contar- me a sua.  Já na estrada, de Férias, eu pensei como poderíamos fazer para marcamos um dia e horário.  Nem foi preciso pensar muito. Ele me deu todas as dicas e lá estava eu, absorvendo as memórias dele. Antes de ir dormir, comecei a fazer anotações para não esquecer. 2 minutos depois, peguei  no sono e quando acordei, pensei: "Descanso? Acho que não... Seu Antônio me aguarda". Acho engraçado muitas vezes, como as coisas se entrelaçam.  Quando estamos de férias ou temos uma folga, hoje, em 2024, uma coisa que passa pela cabeça é: pegarmos o controle da TV, o notebook, tablet, celular, o eletrônico que tivermos à disposição, sentarmos no sofá ou deitarmos na cama e ligarmos o aparelho com a tela: Netflix.  Tendo um catálogo, que na América Latina, oferece em torno de 3.339 títulos de fil...

Entre Ramos e Destinos

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No texto sobre "Rio Grande das Oliveiras", comentei sobre os Projetos que estão voltando a ser realizados e também sobre as pessoas que fazem parte disso. O processo é longo, pois viver no mundo real, é trabalhoso, e eu vivo em torno do relógio. lrei compartilhando aos poucos, pois é difícil acompanhar todo mundo. Segue continuação... "Deixaram um presente pra ti, na portaria". Fui faceira pegar meu presente, correndo para não atrasar a viagem, e para minha surpresa, era a 13° edição impressa da Revista Azeites & Olivais. Saí dando uma olhada e na primeira página encontrei: "O Protocolo Nemechek: uso do azeite de oliva extravirgem em pessoas com espectro autista", que me acompanhou no início do caminho e os solavancos da estrada. Já havia conversado com a Luciane. Marcamos e remarcamos (século XXI e a incrível incompatibilidade de agendas) uma visita ao Horto do Povo Novo. O trabalho dela tem representado produtores e consumidores, não só de Rio Grande...

Feito Para Mim

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  Século XXI... Nossas vidas baseadas em Agendas. Nos falta tempo. "O tempo é curto". "O tempo não para". "Tempo é dinheiro". "O tempo não perdoa".  Muitos ditados sobre o tempo. Confesso que o último citado, me faz repensar certas coisas. Foi uma saga conseguir conversar com a Ivania.  Marcamos, remarcamos, Covid que me pega, eletrônicos dela que tem vida própria e desligam no meio da conversa, reformulação dos sites, nossas demandas que só aumentam e a falta de tempo, batendo nossos calcanhares. Bem vindos ao Século XXI. Ao século dos "Sem tempo". Antes de começar a contar sobre essa mulher incrível que conheci, gostaria de dizer que eu sou feliz pelas pessoas que me colocam como parte da história delas e permitem que eu compartilhe. Sempre me perguntam se sou eu mesma que vou escrever, se sou eu que cuido de tudo, e esperam que eu coloque a minha parte, junto com as delas. Se não for eu, se não for assim, elas não aceitam. Portanto, ...

Gurias na Ciência

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  “A ciência e a vida cotidiana não podem e não devem ser separadas”. Rosalind Franklin (Química Britânica - 1920-1958). Lá estava eu, ao fundo da sala observando tudo, após me convidarem a participar da apresentação do Projeto Gurias na Ciência, junto com gurizada das Escolas da Marinha. Enquanto estava aguardando a chegada deles e via o pessoal do Projeto organizando as coisas, divaguei. Várias lembranças vieram à mente naquele momento. Lembrei da Glaucia criança curiosa e alucinada por ciência, mas sem muito jeito para coisa. A misturinha de Bicabornato + Limão + Água, que vira um belo antiácido e ajuda a neutralizar o pH do estômago (uso isso até hoje) e lembrei dos Mols ( unidade de mol se refere ao número de moléculas, íons e átomos) e do meu Professor de Química do Ensino Médio, um peruano, que falava rápido demais e a única coisa que entendíamos era: “Atención pessoal” e “Mol”. De fato, a ciência está no nosso dia a dia. Voltei para Terra. Eles foram chegando de forma orden...

Rio Grande das Oliveiras

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  Essa não é a história de uma pessoa. Mas, algumas. E de uma, umas, árvores.  Recebi um livro ainda não impresso. “Primeira mão”, “Quentinho”, como me disseram. Nas primeiras páginas, um trecho me saltou aos olhos: “Nenhuma outra espécie, viu o florescer de muitas civilizações, a decadência dos povos e foi a testemunha dos andantes na construção de um mundo repleto de vicissitudes”. Rio Grande 2023 – Uma árvore. Aparentemente comum…mas…com centenas de anos e ainda produzindo azeitonas. Possivelmente a Oliveira mais velha do Brasil. Com isso, entramos na Tradição da Cultura da Oliveira em Rio Grande. E com ela, tantas outras coisas… “Roberto Duhá, vinha do mundo urbano onde há circulação de pessoas nas praças, repartições públicas, nos jornais do Mercado, nas Igrejas, nas agências marítimas, com seus escritórios de representação, cinemas, teatros e o cais do porto vislumbrando um cenário por onde circulava parte considerável da produção e da riqueza rio-grandense, traçando por...